Voltar ao escritório é bacana, mas o percurso até lá é atroz

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Voltar ao escritório é bacana, mas o percurso até lá é atroz

Trajeto de casa até o trabalho torna difícil convencer os funcionários a retornar para o trabalho presencial

FINANCIAL TIMES 

 

Na terça-feira passada (1º), choveu sem parar em Londres. Havia uma greve no metrô. Os ônibus estavam lotados. As notícias sobre a Ucrânia eram perturbadoras.

Tudo isso servia como um pano de fundo desanimador para um dia que algumas empresas, entre as quais a minha, tinham a esperança de tornar especial.

Era 1º de março, o dia em que deveríamos todos voltar ao escritório depois de quase dois anos de trabalho em sua maior parte remoto. Tentativas sérias para nos atrair de volta tinham sido feitas, começando pelo refeitório da empresa.

“Quanto eu devo?”, perguntei ao pedir um café pela manhã. “Nada”, me responderam. Será que eu não tinha lido o email?

Parece que, na semana anterior, quando estive de licença, surgiu o anúncio de que a comida e bebida seriam gratuitas no refeitório em março e abril, para ajudar os trabalhadores a se reconectar ao escritório.

 

Ligeiramente chocada, eu vi meus colegas empilhando panquecas e outros pratos de café da manhã gratuitos em seus pratos.

Na hora do almoço, me uni a eles, devorando um sanduíche grande e gratuito de filé de frango e tomando mais um café igualmente grátis; depois, hesitei por algum tempo pensando se deveria aproveitar a torta oferecida como sobremesa –também a custo zero.

Outros presentes e atividades tinham sido organizados. Um clube de cinema, com pipoca grátis. Drinques de acolhida para os novos contratados. O que mais me surpreendeu foi a oferta de massagens gratuitas.

Com base no que li, isso coloca o Financial Times nas alturas, ao lado de empresas como o Goldman Sachs, que ofereceu cafés da manhã, almoços e sorvetes gratuitos para seu pessoal no ano passado, a fim de tentar atrair os empregados de volta às suas mesas de trabalho.

Este mês, roscas gratuitas, coquetéis sem álcool e aulas de meditação foram oferecidos nos escritórios do Bank of Queensland, Austrália, e outros trabalhadores do banco receberam a oferta de cafés e almoços gratuitos entregues em suas mesas.

Todos esses desdobramentos são excelentes, mas não estou certa de que eles funcionarão. Por mais deliciosa que seja a comida grátis, ela precisa enfrentar um rival formidável na batalha por levar os trabalhadores de volta ao escritório: o percurso de casa até o trabalho.

O principal motivo para que os trabalhadores remotos de todo o planeta dizem temer o retorno ao escritório é o tempo, custo e desconforto que enfrentam para chegar às suas mesas de trabalho a cada dia.

Nos Estados Unidos, notáveis 74% dos trabalhadores entrevistados responderam que o percurso até o escritório é o que mais os incomoda, no retorno ao trabalho, de acordo com a consultoria Korn Ferry. Isso não surpreende, se considerarmos que o percurso médio de casa ao trabalho subiu a um pico de 28 minutos em 2019, de acordo com o Serviço de Recenseamento dos Estados Unidos, ante 25 minutos em 2006.

Também não surpreende que outro levantamento realizado por pesquisadores acadêmicos no mês passado tenha demonstrado que os trabalhadores dos Estados Unidos acreditam que o principal benefício de trabalhar em casa é não precisar encarar a jornada de lá para o trabalho, e que essa vantagem tem peso maior do que o tempo adicional com a família, os horários mais flexíveis e a redução no tempo necessário a se preparar para o trabalho.

Pesquisas apontam que a viagem de casa ao trabalho é ainda mais detestada no Reino Unido, que apresenta alguns dos preços de transporte ferroviário mais altos da Europa, se a pessoa tiver de comprar a passagem no dia da viagem.

No meu caso, a jornada para o escritório na semana passada foi notavelmente agradável. Um motorista de ônibus gentil me deixou embarcar sem pagar depois de eu tentar usar um passe que não funcionou na catraca. Consegui lugar para me sentar, embora o ônibus estivesse lotado de passageiros por conta da greve no metrô. O melhor é que me sentei atrás de uma mulher que demorou só um pouco mais do que eu a desistir de resolver o desafio do Wordle naquela manhã.

Infelizmente, muitos dos passageiros tiveram experiências muito piores. Alguns não conseguiram embarcar, porque só passavam ônibus lotados, e tiveram de caminhar por quilômetros na garoa. Outros desistiram e voltaram para casa.

A greve do metrô causou boa parte do problema, mas não todo. Ela começou no mesmo dia em que os maiores aumentos de preços de passagens de trem em nove anos entraram em vigor na Inglaterra e no País de Gales.

Para alguns de meus colegas, isso significa um custo diário de 28 libras (20 libras fora do horário do rush, cerca de R$ 133 reais) para o transporte ferroviário, em trens mais lotados do que era o caso antes da Covid.

Eles talvez se conformassem em pagar o preço sem muita reclamação antes da pandemia, mas agora, depois de dois anos de trabalho sem a obrigação de ir ao escritório, o custo dói mais.

Não sei quantas rosquinhas gratuitas serão precisas para aliviar essa dor.

Tradução de Paulo Migliacci

Autora Pilita Clark | Clipping Folha de São Paulo

 

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