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Gestão e Operação

Como precificar honorários: hora, êxito ou pacote — a régua para cada tipo de caso

Como precificar honorários: hora, êxito ou pacote — a régua para cada tipo de caso

Por Leo Toco

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Atualizado em

EM RESUMO

Honorários por hora, êxito ou pacote: quando cada um faz sentido, a régua por tipo de caso, o que a Lei 15.472/2026 mudou e como usar a IA para estimar.

Precificar honorários é escolher, para cada tipo de caso, entre três modelos — hora, êxito ou pacote — e a escolha certa depende de duas variáveis: quanto do trabalho é previsível e quem carrega o risco. Não existe modelo melhor; existe modelo errado para o caso. O erro mais comum do escritório é usar um só modelo para tudo — e o segundo mais comum é precificar pelo que o concorrente cobra, em vez de pelo que o caso custa.

Este guia traz a régua por tipo de caso, o que a Lei 15.472/2026 mudou em julho (a natureza alimentar dos honorários virou lei expressa) e como usar a IA para o que ela faz bem aqui: estimar horas pelo seu próprio histórico. Eu não sou advogado — sou de tecnologia e gestão, com mais de dez anos no mercado jurídico — e este é o exercício que mais muda a margem de um escritório pequeno.

Os três modelos (e o que cada um esconde)

Os três modelos de honorários distribuem risco e previsibilidade de formas diferentes — e cada um esconde um custo que só aparece depois.

Modelo

Como funciona

Quem carrega o risco

O que esconde

Por hora

Cobra-se o tempo efetivamente gasto, a um valor/hora

O cliente

Exige registro rigoroso de tempo; cliente resiste ao imprevisível

Por êxito

Percentual sobre o resultado obtido

O escritório

Fluxo de caixa: você financia o caso; se demora ou perde, trabalhou de graça

Pacote (valor fechado)

Preço fixo por serviço definido

Dividido — se o escopo for claro

Escopo mal definido vira trabalho infinito pelo mesmo preço

Um quarto arranjo, o mais usado na prática, é o misto: um valor fixo de entrada (que cobre o custo de fazer) mais um percentual de êxito (que remunera o risco). Ele existe justamente porque nenhum dos três puros resolve tudo.

A régua por tipo de caso

A régua é simples: quanto mais previsível o trabalho, mais faz sentido o pacote; quanto mais imprevisível, mais faz sentido a hora; quanto mais o cliente não pode pagar agora e o resultado é provável, mais faz sentido o êxito.

  • Trabalho repetitivo e de escopo claro (contrato padrão, registro, procedimento sem litígio) → pacote. Você conhece o custo; o cliente conhece o preço. Aqui a IA baixou o seu custo de produção — e a decisão de repassar ou não é sua, não da ferramenta.

  • Trabalho de escopo aberto (consultoria continuada, contencioso complexo, negociação longa) → hora, com estimativa e teto combinados. O cliente aceita a hora quando entende o que está comprando: transparência, não surpresa.

  • Caso com resultado provável e cliente sem caixa (indenizatória, cobrança, trabalhista do reclamante) → êxito, com entrada quando possível. Aqui o escritório é investidor; precifique como investidor — o percentual precisa cobrir os casos que não dão certo.

  • Escritório com carteira mista → o misto como padrão, com a proporção entre fixo e êxito variando pelo risco de cada caso.

Duas travas do Código de Ética que valem para todos os modelos: é dever do advogado abster-se de "contratar honorários advocatícios em valores aviltantes" (art. 2º, parágrafo único, VIII, "f"), e a contratação deve ser feita, preferencialmente, por escrito — o contrato é o que define escopo, modelo e o que acontece se o cliente revogar o mandato (art. 17: a revogação não desobriga o pagamento do contratado). As tabelas de honorários das seccionais da OAB são a referência de piso — consulte a da sua.

O que a Lei 15.472/2026 mudou

Em 21 de julho de 2026 foi sancionada a Lei 15.472, que alterou o Estatuto da Advocacia para tornar expressa a natureza alimentar dos honorários — contratuais, arbitrados e de sucumbência —, com os mesmos privilégios dos créditos trabalhistas e prioridade de pagamento em falência, recuperação, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial (Agência Senado).

O que isso muda na precificação: reduz o risco de não receber quando o devedor entra em crise, o que torna o modelo de êxito um pouco menos arriscado do que era — e reforça o valor do contrato escrito, porque é ele que constitui o título. Não muda o quanto cobrar; muda a segurança de receber o que foi combinado.

Como calcular o valor da hora (a conta que ninguém faz)

O valor da hora do escritório não é o que você "acha que vale": é custo mensal total dividido pelas horas faturáveis reais, mais a margem. E as horas faturáveis reais são muito menos do que parecem.

  1. Some o custo mensal — salários e pró-labore, aluguel, sistemas, ferramentas de IA, contador, tributos, marketing. Tudo.

  2. Conte as horas faturáveis — não as horas trabalhadas. Reunião interna, prospecção, administração e capacitação não são faturáveis. Para um advogado, algo entre 50% e 60% das horas trabalhadas costuma ser faturável; conte as suas.

  3. Divida. Esse é o custo da sua hora. Abaixo disso, você paga para trabalhar.

  4. Aplique a margem — e lembre que ela precisa financiar os casos de êxito que não dão certo.

A maior parte dos escritórios que faz essa conta pela primeira vez descobre que cobra o pacote abaixo do custo da hora. É a hora de repensar o pacote, não de trabalhar mais.

Onde a IA entra na precificação

A IA entra em dois lugares — e em nenhum deles decide o preço.

1. Estimar horas pelo histórico. Se o escritório registra o tempo por caso (e deveria), a IA lê o histórico e responde "quanto tempo casos deste tipo levaram, em média, e qual foi a variação". É a base do pacote e do teto da hora — dado seu, não palpite.

2. Simular cenários de êxito. Com o histórico de resultados por tipo de caso, a IA calcula qual percentual cobre os casos perdidos e a demora média. É como um investidor precifica risco.

O que a IA não faz: saber quanto o seu mercado aceita, quanto vale a sua reputação, ou se este cliente específico vai pagar. E há um custo novo na conta: a própria IA. Quanto ela custa de verdade — e por que o preço de tabela não é o número que decide — está em quanto custa a IA no escritório.

O quadro de decisão (o que fazer nesta semana)

  1. Calcule o custo da sua hora. Uma planilha, uma tarde.

  2. Classifique os seus 10 tipos de caso mais frequentes em previsível/imprevisível e cliente-com-caixa/sem-caixa. O modelo de cada um sai da tabela.

  3. Reveja os pacotes contra o custo da hora. Os que estão abaixo, sobem ou saem.

  4. Registre o tempo por caso a partir de hoje — é o dado que a IA vai usar daqui a seis meses.

Quem quer entender a função que faz essa conta profissionalmente, o guia de legal operations mostra o que ela faz e quanto ganha; e para a referência de mercado sobre o que o profissional recebe, o guia de quanto ganha um advogado tem os números por senioridade e regime.

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PERGUNTAS FREQUENTES

O que os advogados mais perguntam

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Qual é o melhor modelo de honorários: hora, êxito ou pacote?

Nenhum é melhor em geral; cada um serve a um tipo de caso. Trabalho previsível e de escopo claro pede pacote; escopo aberto pede hora com teto; resultado provável e cliente sem caixa pede êxito. O misto (fixo + êxito) é o padrão mais usado.

Como calcular o valor da hora do advogado?

Custo mensal total do escritório dividido pelas horas faturáveis reais (que costumam ser 50% a 60% das trabalhadas), mais a margem. Abaixo desse valor você paga para trabalhar.

O que a Lei 15.472/2026 mudou nos honorários?

Tornou expressa no Estatuto da Advocacia a natureza alimentar dos honorários — contratuais, arbitrados e de sucumbência —, com os privilégios dos créditos trabalhistas e prioridade em falência, recuperação e concurso de credores. Sancionada em 21/07/2026, em vigor em 22/07.

Honorários por êxito valem a pena?

Valem quando o resultado é provável e o cliente não pode pagar agora — mas o escritório vira investidor: o percentual precisa cobrir os casos perdidos e a demora. Entrada fixa, quando possível, reduz o risco.

Existe valor mínimo de honorários?

As seccionais da OAB publicam tabelas de honorários como referência de piso, e o Código de Ética veda contratar honorários em valores aviltantes (art. 2º, parágrafo único, VIII, "f"). Consulte a tabela da sua seccional.

Preciso de contrato de honorários por escrito?

O Código de Ética prevê a contratação preferencialmente por escrito, e com a Lei 15.472/2026 o contrato ganhou peso: é o título de natureza alimentar. É ele que define escopo, modelo e o que acontece na revogação do mandato.

A IA pode ajudar a precificar honorários?

Ajuda a estimar horas pelo histórico de casos do escritório e a simular cenários de êxito — dado seu, não palpite. Não decide o preço: quanto o mercado aceita e quanto vale a sua reputação continuam sendo julgamento seu.

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Fundador do Jurídico Ágil, professor e consultor de IA e Gestão Ágil para o mercado jurídico. Mais de 15.000 alunos e 300+ agentes jurídicos criados.

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