Conectar o Gemini Notebook (o antigo NotebookLM) ao Claude é fazer a IA que escreve melhor consultar a base que só responde com o que você subiu — o notebook do processo, o do cliente, o da tese — sem sair da conversa. É a combinação que mais rende para quem já usa os dois. E é uma combinação que não tem conector oficial: nem o Google nem a Anthropic publicaram um. O que existe é projeto de comunidade, de código aberto, que funciona guardando a sessão da sua conta Google no seu computador — e isso pede uma decisão consciente antes de qualquer passo.
Este guia diz como funciona, o que o próprio autor do projeto declara, o passo a passo que ensinamos no curso e a condição da casa que não se negocia: conta Google dedicada. Eu não sou advogado; sou de tecnologia, com mais de dez anos no mercado jurídico, e este é o conector sobre o qual mais recebo pergunta — e mais recomendo cautela.
O que mudou no NotebookLM em 2026 (para você achar as coisas)
Duas mudanças em 2026 deixaram o passo a passo antigo sem sentido: em 8 de abril, os cadernos passaram a existir também dentro do aplicativo do Gemini, na web, para assinantes Google AI Ultra, Pro e Plus, com sincronização nos dois sentidos; em 16 de julho, o NotebookLM foi rebatizado Gemini Notebook. O que não mudou: o endereço notebooklm.google continua funcionando e os seus cadernos e fontes continuam lá. Quem usa a versão gratuita segue entrando pelo endereço próprio; os cadernos dentro do app do Gemini dependem de assinatura.
O que o Gemini Notebook faz de único — responder só com base nas fontes que você subiu, citando-as — é o que o torna a melhor base de consulta para documento jurídico; o comparativo está em NotebookLM vs Gemini: qual escolher. O que ele faz pior é escrever peça. Daí a vontade de ligá-lo ao Claude.
Não existe conector oficial — e o que existe pede uma decisão
O que circula é um projeto de comunidade: uma ferramenta de linha de comando e um servidor MCP, de código aberto (licença MIT), que dá ao Claude acesso aos seus notebooks — criar, adicionar fontes, consultar, gerar conteúdo. A forma como ele autentica é o ponto que importa: ele abre o seu navegador, você faz login no Google, e ele extrai os cookies da sessão e os guarda numa pasta do seu computador para usar depois (projeto no GitHub).
O que o próprio autor declara, em texto: o projeto usa APIs internas não documentadas do Google, que "podem mudar sem aviso"; exige extração de cookies do navegador; é para "uso pessoal/experimental, por sua conta e risco"; e — com transparência incomum — foi "construído por um não-desenvolvedor usando assistentes de IA". Há um limite prático de cerca de 50 consultas por dia.
Traduzindo para o escritório: sessão do Google não é acesso ao Notebook. É acesso à conta inteira — Gmail, Drive, Agenda — e é onde costumam estar os documentos dos clientes. Um programa não auditado operando com essa credencial na sua máquina é exatamente o tipo de decisão que tratamos em conectar a IA ao e-mail e ao Drive: quem liga, com qual conta, com qual permissão.
A condição da casa: conta Google dedicada
A condição que ensinamos no curso e que não se negocia: se for usar o conector, use uma conta Google dedicada, criada só para os notebooks — nunca a do e-mail profissional.
O que isso resolve: a credencial guardada na máquina dá acesso a uma conta que não tem Gmail com cliente, não tem Drive com processo, não tem Agenda. Se o projeto quebrar, se a credencial vazar, se a API mudar — o dano fica contido no que você deliberadamente colocou lá.
O que isso exige: subir aos notebooks dessa conta só o que pode estar nela (o mesmo critério de sempre: é público ou é do cliente? se é do cliente, anonimizado antes), e manter a conta com verificação em duas etapas e senha própria. Conta dedicada não é gambiarra — é o perímetro.
O passo a passo (o que ensinamos no curso)
Pré-requisitos: Claude Desktop instalado (quem tem Claude Pro está coberto — o conector local só funciona no aplicativo de desktop, não no navegador nem no celular) e Chrome ou Edge na máquina, porque é neles que o login abre.
Crie a conta Google dedicada e ative a verificação em duas etapas.
Instale a ferramenta conforme o projeto indica (há instalação por gerenciador de pacotes Python e a extensão
.mcpbpara o Claude Desktop).Faça o login com a conta dedicada na janela que a ferramenta abre. A sessão fica guardada na pasta do projeto no seu perfil de usuário.
Baixe o arquivo
.mcpbda página de versões do projeto e clique duas vezes — o Claude Desktop instala. No Windows, o SmartScreen reclama: "Mais informações" → "Executar assim mesmo".Teste numa conversa nova: "liste meus notebooks do Gemini Notebook".
Os cinco casos que respondem por quase todo problema, segundo a nossa experiência em sala:
O que você vê | O que é | O que fazer |
|---|---|---|
"Comando não reconhecido" | O comando seguinte foi digitado antes de o anterior terminar | Espere a linha voltar; refaça o passo |
A tela ficou parada por minutos | Está baixando, não travou | Espere o cursor voltar antes de digitar |
O navegador não abre no login | Falta Chrome ou Edge na máquina | Instale um dos dois |
Funcionava e parou depois de semanas | A sessão do Google expira em 2 a 4 semanas | Refaça o login |
O Claude não encontra as ferramentas | O Desktop precisa recarregar o conector | Feche o Claude Desktop por completo e reabra |
Para que serve, de verdade
O arranjo Notebook + Claude serve para um fluxo específico e muito bom: o Notebook responde só com os autos; o Claude escreve a partir da resposta. Você pergunta, na conversa do Claude, "o que o notebook do caso X diz sobre a cláusula de rescisão?"; o Claude consulta o notebook, recebe a resposta com as citações, e redige o parágrafo da peça com a fonte. É a versão caseira do que descrevemos em MCP no Direito — a IA consultando em vez de lembrar.
O que não serve: colocar dado de cliente identificável numa conta que depende de projeto experimental. E o que nunca muda: a citação que vai para a peça se confere no documento original, não na resposta do Notebook nem na do Claude.




