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IA na Prática

Como criar seu GPT jurídico no ChatGPT: guia 2026 (e o erro de sigilo que quase todos cometem)

Como criar seu GPT jurídico no ChatGPT: guia 2026 (e o erro de sigilo que quase todos cometem)

Por Leo Toco

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10

min de leitura

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Atualizado em

EM RESUMO

Como criar e treinar um GPT assistente jurídico no ChatGPT em 2026: passo a passo, instruções que funcionam, alternativas gratuitas e o risco de sigilo real.

Fichário de biblioteca com gavetas de madeira: um GPT é conhecimento organizado para ser consultado

Criar um GPT jurídico leva dez minutos: você abre o criador, descreve o que o assistente faz, ajusta as instruções e sobe os arquivos de conhecimento. O que quase ninguém faz é a parte que realmente importa. Um estudo que testou mais de 200 GPTs conseguiu extrair as instruções em 97,2% dos casos e os arquivos anexados em 100%. Traduzindo para a nossa realidade: aquilo que você põe dentro de um GPT publicado, qualquer pessoa que converse com ele pode tirar de lá. Este guia ensina a construir o assistente — e a construir sem entregar o acervo do escritório junto.

O que é um GPT (e o que mudou até 2026)

GPT personalizado é o ChatGPT com um papel fixo, regras próprias e uma base de conhecimento sua. Em vez de reexplicar o contexto toda vez, você configura uma vez: “você é assistente de um escritório trabalhista, responde neste formato, segue este modelo de peça, nunca inventa jurisprudência”.

Em julho de 2026 o produto segue firme: o criador está em chatgpt.com/gpts, a GPT Store continua no ar e o modelo por trás avançou — o GPT-5.6 passou a ser o principal do Plus em 9 de julho de 2026. Na prática, o mesmo GPT que você criou em 2024 ficou mais capaz sem você mexer nele.

Quem pode criar:

Plano

Preço (jul/2026)

Cria GPT?

Usa GPT?

Free

US$ 0

Não

Sim, dentro do limite de mensagens

Go

R$ 39,99/mês no Brasil

Não listado entre os planos de criação

Sim

Plus

US$ 20/mês

Sim

Sim

Business

~US$ 25/mês por assento

Sim

Sim

Enterprise

Sob consulta

Sim

Sim

A criação exige plano pago — Plus, Business ou Enterprise (OpenAI). Usar um GPT que já existe funciona até no plano gratuito, o que explica por que faz sentido um escritório ter um criador e vários usuários.

O passo a passo

  1. Abra o criador. Menu lateral → Explorar GPTsCriar. A aba Create conversa com você; a aba Configure é onde está o controle de verdade. Use a segunda.

  2. Nomeie pela tarefa, não pelo charme. “Triagem de petição inicial trabalhista” vale mais que “Dr. Robô”. Você vai ter vários, e vai precisar achá-los.

  3. Escreva as instruções. É o coração do GPT (detalhes na próxima seção).

  4. Suba o conhecimento. Até 20 arquivos por GPT, 512 MB cada e até 2 milhões de tokens por documento de texto (OpenAI). Aqui mora o risco — leia a seção de sigilo antes de arrastar qualquer arquivo.

  5. Escolha as capacidades. Navegação na web, interpretador de código, geração de imagem. Desligue o que a tarefa não pede: capacidade sobrando é caminho de erro sobrando.

  6. Teste com caso real e publique como privado. O painel de teste fica ao lado. Publique Somente eu ou Qualquer pessoa com o link — a Store pode esperar.

Instruções que funcionam

A diferença entre um GPT que ajuda e um que irrita está em cinco blocos. Um esqueleto que funciona bem no jurídico:

  • Papel: quem ele é e para quem trabalha. “Você assiste advogados de um escritório de direito do consumidor no Brasil.”

  • Tarefa: o que ele faz, em uma frase. “Você faz a triagem de petições iniciais e devolve um resumo estruturado.”

  • Formato: exatamente como responder. “Responda sempre em: Partes · Pedidos · Fundamentos · Prazos · Riscos · Documentos ausentes.”

  • Regras: os limites inegociáveis. “Nunca cite jurisprudência que não esteja nos arquivos. Se não souber, diga ‘não encontrei’. Não sugira estratégia processual.”

  • Fonte: o que consultar. “Use os modelos anexados como padrão de redação; ignore seu conhecimento geral quando conflitar com eles.”

A regra que mais economiza dor é a do “não sei”. Modelo de linguagem tende a preencher lacuna — e no Direito, lacuna preenchida vira precedente inventado. Mandar dizer “não encontrei” é instrução simples com efeito enorme.

Se o seu objetivo é ter agentes prontos sem construir do zero, vale conhecer a nossa biblioteca de agentes jurídicos: são assistentes já configurados por categoria, prontos para usar no ChatGPT e no Gemini.

O erro de sigilo que quase todos cometem

Trate tudo que entra num GPT publicado como potencialmente público. Não é alarmismo: no estudo já citado, com mais de 200 GPTs testados, a extração do prompt de sistema teve 97,2% de sucesso e o vazamento dos arquivos de conhecimento, 100% (arXiv 2311.11538). Existem repositórios públicos catalogando instruções extraídas de GPTs populares. Um pedido bem construído basta.

Some-se a isso o segundo fato, sobre treinamento: em contas pessoais (Free, Plus, Pro), os seus dados são usados para treinar o modelo por padrão — o desligamento existe, mas é manual, em Configurações → Controles de dados (OpenAI). Já nos planos Business, Enterprise, Edu e na API, o padrão é o oposto: não treinam, salvo opt-in (OpenAI). Para um escritório, essa diferença justifica sozinha o plano corporativo.

E há um terceiro fato, que quase ninguém acompanhou: por decisão judicial no litígio do New York Times contra a OpenAI, a empresa foi obrigada a preservar e produzir uma amostra de 20 milhões de conversas desidentificadas — e em julho de 2026 o grupo de jornais pediu sanções alegando que a OpenAI dificultou a busca (OpenAI). É litígio americano sobre amostra sem identificação, não vazamento de sigilo. Mas ensina algo prático: “eu apaguei a conversa” não é garantia absoluta quando há disputa judicial em curso.

As regras que resolvem, na prática:

  • Modelo de peça, sim. Caso de cliente, não. Conhecimento do GPT é para o que é seu e reutilizável — seu padrão de redação, seus checklists, súmulas, legislação. Nunca para o processo de fulano.

  • Anonimize antes. Se precisa de um caso como exemplo, troque nomes, CPFs e valores. A Recomendação 001/2024 da OAB exige confidencialidade, revisão humana e comunicação ao cliente sobre o uso de IA — e a LGPD não abre exceção para “eu só colei no chat”.

  • Publicado = exposto. Vai publicar na Store? Assuma que as instruções são públicas. Se elas contêm o seu diferencial, mantenha o GPT privado.

  • Escritório usa plano de escritório. Business ou Enterprise, onde o não-treinamento é o padrão.

Vale registrar também um movimento fresco do outro lado do balcão: em 13 de julho de 2026 a OAB lançou o OpenDetector, ferramenta gratuita para identificar conteúdo gerado por IA em peças (OAB). O recado do ambiente é claro: usar IA é esperado; entregar texto de IA sem revisão, não.

As alternativas (e onde elas ganham)

Ferramenta

Cria de graça?

Diferencial

Gems (Google Gemini)

Sim, em todos os planos, inclusive o gratuito

O caminho mais barato para começar

Projects (Claude)

Sim — até 5 no plano gratuito, 30 MB por arquivo

Melhor para trabalhar com documentos longos

Skills (Claude)

Sim, nos planos pagos

Instruções que o modelo carrega sozinho quando são relevantes; virou padrão aberto em dez/2025

Copilot Studio (Microsoft)

Não — cobrança por consumo

Faz sentido se o escritório já vive no ecossistema Microsoft

Se você nunca criou nada disso, comece pelos Gems: são gratuitos até no plano free do Gemini (Google), o que remove a barreira do teste. Se o seu trabalho gira em torno de documentos longos, os Projects do Claude tendem a servir melhor. A escolha entre os modelos por trás dessas ferramentas é outra conversa — que fizemos em qual a melhor IA para advogados.

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PERGUNTAS FREQUENTES

O que os advogados mais perguntam

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Preciso pagar para criar um GPT?

Sim. Criar e editar GPTs exige plano pago (Plus, Business ou Enterprise). Usar um GPT já publicado funciona no plano gratuito, dentro do limite de mensagens. Se quer criar sem pagar, os Gems do Gemini são gratuitos em todos os planos.

Como treinar um GPT com o meu jeito de escrever?

Suba os seus modelos de peça como arquivos de conhecimento e escreva na instrução que ele deve seguir esses modelos como padrão de redação, ignorando o conhecimento geral quando houver conflito. São até 20 arquivos por GPT, com 512 MB cada.

As pessoas conseguem ver as instruções e os arquivos do meu GPT?

Sim, na prática. Um estudo com mais de 200 GPTs extraiu o prompt de sistema em 97,2% dos casos e os arquivos em 100% deles. Se as instruções ou os documentos são o seu diferencial, mantenha o GPT privado — e nunca coloque dado de cliente ali.

A OpenAI treina o modelo com o que eu coloco no GPT?

Em contas pessoais (Free, Plus, Pro), sim, por padrão — dá para desligar em Configurações → Controles de dados. Nos planos Business, Enterprise, Edu e na API, o padrão é não treinar, salvo autorização expressa.

Posso colocar processo de cliente no conhecimento do GPT?

Não sem anonimizar. Além do risco real de extração dos arquivos, a Recomendação 001/2024 da OAB exige confidencialidade e revisão humana, e a LGPD se aplica normalmente. Use o conhecimento para o que é reutilizável e seu: modelos, checklists, legislação, súmulas.

GPT, Gem, Project ou Skill: qual escolher?

GPT se você já paga o ChatGPT e quer publicar/compartilhar. Gem se quer criar de graça. Project se trabalha com documentos longos no Claude. Skill se quer que o assistente carregue as instruções sozinho, só quando forem relevantes. Todos resolvem o mesmo problema de fundo: parar de reexplicar o contexto toda vez.

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Leo Toco

Fundador do Jurídico Ágil, professor e consultor de IA e Gestão Ágil para o mercado jurídico. Mais de 15.000 alunos e 300+ agentes jurídicos criados.

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