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Ética & Regulação

IA no escritório e LGPD: o que a ANPD exige do advogado (guia)

IA no escritório e LGPD: o que a ANPD exige do advogado (guia)

Por Leo Toco

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9

min de leitura

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Atualizado em

EM RESUMO

IA e LGPD na advocacia: os deveres reais que a ANPD fiscaliza ao usar IA no escritório, ancorados na Lei 13.709. Guia prático do advogado.

Corredor de servidores com luzes azuis: onde vivem os dados que a LGPD protege

Usar IA no escritório é permitido, mas não é livre: quando você insere dados de clientes em uma ferramenta de IA, você continua sendo o controlador desses dados e responde pela LGPD (Lei 13.709). A ANPD, autoridade que fiscaliza a lei, elegeu inteligência artificial como eixo prioritário de fiscalização para 2026-2027. Este guia reúne os deveres reais que você precisa cumprir.

Não é sobre parar de usar IA. É sobre usar do jeito certo. A maior parte dos escritórios que uso como referência já adotou ferramentas de IA no dia a dia sem revisar uma única linha da sua conformidade em proteção de dados. Esse é o ponto cego que a fiscalização de agora expõe.

O que a ANPD decidiu sobre IA (e por que importa para você)

A ANPD colocou IA na sua lista de prioridades de fiscalização. Em dezembro de 2025, a autoridade publicou o Mapa de Temas Prioritários para o biênio 2026-2027, definindo quatro eixos de atuação. “Inteligência artificial e tecnologias emergentes no tratamento de dados pessoais” é um deles. Ou seja: o uso de IA saiu do campo teórico e entrou no radar concreto da fiscalização.

Não é proibição, é conformidade

A ANPD não proíbe IA na advocacia. Ela verifica se o tratamento de dados por trás da ferramenta respeita a LGPD. O recado é de responsabilidade, não de veto. O Mapa de Temas Prioritários 2026-2027 consolidou dezenas de ações de fiscalização para o biênio, e a autoridade sinalizou atenção especial a como os sistemas de IA impactam os direitos de quem tem os dados tratados. Traduzindo: quem usar IA sem base legal e sem segurança fica exposto.

O foco em decisões automatizadas

Um ponto merece destaque: as decisões automatizadas. A ANPD tem dedicado atenção a sistemas que decidem sobre pessoas sem intervenção humana. Isso conecta diretamente com o art. 20 da LGPD, que garante ao titular o direito de pedir revisão de decisões tomadas unicamente por tratamento automatizado. Para o advogado, o alerta é duplo: cuidado ao terceirizar decisões para a IA e atenção quando o cliente for alvo de uma decisão automatizada de terceiros.

Os deveres reais do advogado ao usar IA (ancorados na LGPD)

Ao usar IA no escritório, o advogado precisa cumprir os mesmos deveres de qualquer controlador de dados: ter base legal, finalidade definida, transparência, segurança e respeito aos direitos do titular. A IA não cria deveres novos; ela apenas amplia a superfície de risco dos deveres que já existem na Lei 13.709. Abaixo, os que mais pesam na rotina.

1. Base legal e finalidade

Todo tratamento de dado pessoal precisa de uma base legal e de uma finalidade específica (arts. 6º e 7º da LGPD). Ao jogar a petição de um cliente em uma IA para resumir, você está tratando dados pessoais. Pergunte-se: qual a finalidade e qual a base? Para o cliente do escritório, em regra a execução do contrato de prestação de serviço sustenta o uso. Mas isso não autoriza uso genérico e ilimitado.

2. Segurança da informação

A LGPD exige medidas de segurança que protejam os dados (art. 46). Na prática da IA, o maior risco é a ferramenta que reutiliza o que você insere para treinar o modelo. Prefira ferramentas que não treinam com os seus dados e que ofereçam ambiente com controle de acesso. Anonimizar antes de inserir, sempre que possível, é a medida mais simples e mais poderosa que você tem.

3. Transparência com o cliente

Transparência é princípio expresso da LGPD (art. 6º, VI). O titular tem direito de saber como seus dados são tratados. Se a IA processa dados do cliente, informe. Some a isso a orientação de ética profissional: a Recomendação 001/2024 do Conselho Federal da OAB orienta consentimento por escrito antes de usar IA que trate dados do cliente. Transparência não é burocracia — é o que sustenta a confiança e a sua defesa numa eventual fiscalização.

4. Direitos do titular (incluindo revisão de decisão automatizada)

O titular pode pedir acesso, correção, eliminação e portabilidade dos seus dados (art. 18). E, quando houver decisão automatizada que o afete, pode pedir revisão por pessoa natural (art. 20). No escritório, isso significa não deixar a IA decidir sozinha sobre o cliente — triagem, aceite de caso, valoração — sem um humano no comando. A decisão sempre volta para você.

Tabela: uso comum de IA no escritório × dever de LGPD

Situação no escritório

Risco de LGPD

O que a conformidade pede

Colar petição com dados do cliente em IA pública

Dado pessoal tratado sem controle; possível reuso para treino

Anonimizar; usar ferramenta que não treina com seu conteúdo (art. 46)

Usar IA para resumir documentos sigilosos

Quebra de segurança e de sigilo profissional

Ambiente seguro + revisão humana; base legal clara (arts. 7º e 46)

IA que classifica ou tria clientes sozinha

Decisão automatizada que afeta o titular

Manter intervenção humana; garantir direito à revisão (art. 20)

Não avisar o cliente que usa IA no caso dele

Falta de transparência

Informar o cliente; consentimento por escrito (art. 6º, VI + Recomendação 001/2024 OAB)

Não ter registro de como trata os dados

Dificuldade de comprovar conformidade

Manter registro de operações e política interna de uso de IA

Passo a passo: como deixar o escritório em conformidade

Colocar o escritório em conformidade com IA e LGPD é um projeto de poucas semanas, não uma reforma impossível. O caminho é mapear o que você já faz, fechar as brechas óbvias e documentar. Comece pelos passos abaixo, na ordem.

  1. Mapeie onde a IA toca dados pessoais. Liste cada ponto do fluxo em que dados de cliente entram numa ferramenta de IA (petições, resumos, atendimento, triagem).

  2. Escolha ferramentas que não treinam com seus dados. Verifique nas configurações e nos termos. Essa única decisão elimina boa parte do risco.

  3. Adote a anonimização como padrão. Sempre que a tarefa permitir, remova o que identifica a pessoa antes de inserir na IA.

  4. Escreva uma política de uso de IA. Uma página basta: o que pode, o que não pode, o que sempre exige revisão humana.

  5. Ajuste o contrato e informe o cliente. Inclua transparência sobre o uso de IA e registre o consentimento por escrito.

  6. Mantenha registro de tratamento. Quais dados, qual finalidade, qual base legal, por quanto tempo. É o que você mostra numa fiscalização.

Quando implementei esse tipo de checklist com escritórios, o ganho não foi só evitar multa: foi organizar o próprio fluxo de trabalho. Conformidade bem feita deixa a operação mais clara, não mais lenta.

Conclusão: conformidade é o novo diferencial

A IA no escritório deixou de ser tendência e virou rotina. Com a ANPD elegendo IA como prioridade de fiscalização, o advogado que trata dados com método sai na frente — e o que ignora fica exposto. Os deveres não são novos: são os da LGPD, aplicados a uma ferramenta nova. Base legal, segurança, transparência e respeito aos direitos do titular continuam sendo a espinha dorsal.

A IA no escritório deixou de ser tendência e virou rotina. Com a ANPD elegendo IA como prioridade de fiscalização, o advogado que trata dados com método sai na frente — e o que ignora fica exposto. Os deveres não são novos: são os da LGPD, aplicados a uma ferramenta nova. Base legal, segurança, transparência e respeito aos direitos do titular continuam sendo a espinha dorsal.

Este guia faz parte de um trabalho maior sobre IA, ética e OAB na advocacia, onde reúno o que todo escritório precisa saber para usar IA sem violar a profissão. Vale também conhecer o panorama da regulação de IA no Brasil para advogados, que dá o contexto normativo por trás da atuação da ANPD.

Usar IA no escritório é permitido, mas não é livre: quando você insere dados de clientes em uma ferramenta de IA, você continua sendo o controlador desses dados e responde pela LGPD (Lei 13.709). A ANPD, autoridade que fiscaliza a lei, elegeu inteligência artificial como eixo prioritário de fiscalização para 2026-2027. Este guia reúne os deveres reais que você precisa cumprir.

Não é sobre parar de usar IA. É sobre usar do jeito certo. A maior parte dos escritórios que uso como referência já adotou ferramentas de IA no dia a dia sem revisar uma única linha da sua conformidade em proteção de dados. Esse é o ponto cego que a fiscalização de agora expõe.

O que a ANPD decidiu sobre IA (e por que importa para você)

A ANPD colocou IA na sua lista de prioridades de fiscalização. Em dezembro de 2025, a autoridade publicou o Mapa de Temas Prioritários para o biênio 2026-2027, definindo quatro eixos de atuação. “Inteligência artificial e tecnologias emergentes no tratamento de dados pessoais” é um deles. Ou seja: o uso de IA saiu do campo teórico e entrou no radar concreto da fiscalização.

Não é proibição, é conformidade

A ANPD não proíbe IA na advocacia. Ela verifica se o tratamento de dados por trás da ferramenta respeita a LGPD. O recado é de responsabilidade, não de veto. O Mapa de Temas Prioritários 2026-2027 consolidou dezenas de ações de fiscalização para o biênio, e a autoridade sinalizou atenção especial a como os sistemas de IA impactam os direitos de quem tem os dados tratados. Traduzindo: quem usar IA sem base legal e sem segurança fica exposto.

O foco em decisões automatizadas

Um ponto merece destaque: as decisões automatizadas. A ANPD tem dedicado atenção a sistemas que decidem sobre pessoas sem intervenção humana. Isso conecta diretamente com o art. 20 da LGPD, que garante ao titular o direito de pedir revisão de decisões tomadas unicamente por tratamento automatizado. Para o advogado, o alerta é duplo: cuidado ao terceirizar decisões para a IA e atenção quando o cliente for alvo de uma decisão automatizada de terceiros.

Os deveres reais do advogado ao usar IA (ancorados na LGPD)

Ao usar IA no escritório, o advogado precisa cumprir os mesmos deveres de qualquer controlador de dados: ter base legal, finalidade definida, transparência, segurança e respeito aos direitos do titular. A IA não cria deveres novos; ela apenas amplia a superfície de risco dos deveres que já existem na Lei 13.709. Abaixo, os que mais pesam na rotina.

1. Base legal e finalidade

Todo tratamento de dado pessoal precisa de uma base legal e de uma finalidade específica (arts. 6º e 7º da LGPD). Ao jogar a petição de um cliente em uma IA para resumir, você está tratando dados pessoais. Pergunte-se: qual a finalidade e qual a base? Para o cliente do escritório, em regra a execução do contrato de prestação de serviço sustenta o uso. Mas isso não autoriza uso genérico e ilimitado.

2. Segurança da informação

A LGPD exige medidas de segurança que protejam os dados (art. 46). Na prática da IA, o maior risco é a ferramenta que reutiliza o que você insere para treinar o modelo. Prefira ferramentas que não treinam com os seus dados e que ofereçam ambiente com controle de acesso. Anonimizar antes de inserir, sempre que possível, é a medida mais simples e mais poderosa que você tem.

3. Transparência com o cliente

Transparência é princípio expresso da LGPD (art. 6º, VI). O titular tem direito de saber como seus dados são tratados. Se a IA processa dados do cliente, informe. Some a isso a orientação de ética profissional: a Recomendação 001/2024 do Conselho Federal da OAB orienta consentimento por escrito antes de usar IA que trate dados do cliente. Transparência não é burocracia — é o que sustenta a confiança e a sua defesa numa eventual fiscalização.

4. Direitos do titular (incluindo revisão de decisão automatizada)

O titular pode pedir acesso, correção, eliminação e portabilidade dos seus dados (art. 18). E, quando houver decisão automatizada que o afete, pode pedir revisão por pessoa natural (art. 20). No escritório, isso significa não deixar a IA decidir sozinha sobre o cliente — triagem, aceite de caso, valoração — sem um humano no comando. A decisão sempre volta para você.

Tabela: uso comum de IA no escritório × dever de LGPD

Situação no escritório

Risco de LGPD

O que a conformidade pede

Colar petição com dados do cliente em IA pública

Dado pessoal tratado sem controle; possível reuso para treino

Anonimizar; usar ferramenta que não treina com seu conteúdo (art. 46)

Usar IA para resumir documentos sigilosos

Quebra de segurança e de sigilo profissional

Ambiente seguro + revisão humana; base legal clara (arts. 7º e 46)

IA que classifica ou tria clientes sozinha

Decisão automatizada que afeta o titular

Manter intervenção humana; garantir direito à revisão (art. 20)

Não avisar o cliente que usa IA no caso dele

Falta de transparência

Informar o cliente; consentimento por escrito (art. 6º, VI + Recomendação 001/2024 OAB)

Não ter registro de como trata os dados

Dificuldade de comprovar conformidade

Manter registro de operações e política interna de uso de IA

Passo a passo: como deixar o escritório em conformidade

Colocar o escritório em conformidade com IA e LGPD é um projeto de poucas semanas, não uma reforma impossível. O caminho é mapear o que você já faz, fechar as brechas óbvias e documentar. Comece pelos passos abaixo, na ordem.

  1. Mapeie onde a IA toca dados pessoais. Liste cada ponto do fluxo em que dados de cliente entram numa ferramenta de IA (petições, resumos, atendimento, triagem).

  2. Escolha ferramentas que não treinam com seus dados. Verifique nas configurações e nos termos. Essa única decisão elimina boa parte do risco.

  3. Adote a anonimização como padrão. Sempre que a tarefa permitir, remova o que identifica a pessoa antes de inserir na IA.

  4. Escreva uma política de uso de IA. Uma página basta: o que pode, o que não pode, o que sempre exige revisão humana.

  5. Ajuste o contrato e informe o cliente. Inclua transparência sobre o uso de IA e registre o consentimento por escrito.

  6. Mantenha registro de tratamento. Quais dados, qual finalidade, qual base legal, por quanto tempo. É o que você mostra numa fiscalização.

Quando implementei esse tipo de checklist com escritórios, o ganho não foi só evitar multa: foi organizar o próprio fluxo de trabalho. Conformidade bem feita deixa a operação mais clara, não mais lenta.

Conclusão: conformidade é o novo diferencial

A IA no escritório deixou de ser tendência e virou rotina. Com a ANPD elegendo IA como prioridade de fiscalização, o advogado que trata dados com método sai na frente — e o que ignora fica exposto. Os deveres não são novos: são os da LGPD, aplicados a uma ferramenta nova. Base legal, segurança, transparência e respeito aos direitos do titular continuam sendo a espinha dorsal.

Este guia faz parte de um trabalho maior sobre IA, ética e OAB na advocacia, onde reúno o que todo escritório precisa saber para usar IA sem violar a profissão. Vale também conhecer o panorama da regulação de IA no Brasil para advogados, que dá o contexto normativo por trás da atuação da ANPD.

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A ANPD proíbe o advogado de usar IA?

Não. A ANPD não proíbe o uso de IA na advocacia. Ela fiscaliza como você trata dados pessoais ao usar essas ferramentas. O uso é permitido desde que respeite a LGPD: base legal, finalidade definida, segurança da informação e os direitos do titular. O foco é conformidade, não vedação.

Usar ChatGPT ou outra IA com dados de cliente viola a LGPD?

Pode violar se você inserir dados pessoais sem base legal, sem finalidade definida ou em ferramenta que reutiliza o conteúdo para treino. A LGPD exige tratamento seguro e com propósito claro. Na prática, anonimize sempre que possível e prefira ferramentas que não treinam com o que você insere.

O que é decisão automatizada na LGPD e por que a ANPD olha isso?

Decisão automatizada é aquela tomada unicamente por um sistema, sem intervenção humana, que afeta interesses do titular. O art. 20 da LGPD dá ao titular o direito de pedir revisão dessa decisão. A ANPD elegeu IA e decisões automatizadas como eixo prioritário de fiscalização no biênio 2026-2027.

Preciso avisar o cliente que uso IA no atendimento dele?

A transparência é um princípio da LGPD e uma recomendação de ética profissional. Informar o cliente sobre o uso de IA, quando os dados dele passam pela ferramenta, é a postura conforme. A Recomendação 001/2024 do Conselho Federal da OAB orienta consentimento por escrito antes do uso de IA que trate dados do cliente.

O que a ANPD vai fiscalizar em IA entre 2026 e 2027?

A ANPD definiu IA e tecnologias emergentes como um dos quatro eixos prioritários do Mapa de Temas Prioritários 2026-2027. O foco é avaliar se os sistemas respeitam os direitos do titular, com atenção especial a decisões automatizadas e ao art. 20 da LGPD. São dezenas de ações de fiscalização planejadas no biênio.

Sou advogado autônomo. A LGPD também vale para mim?

Sim. A LGPD se aplica a qualquer pessoa, física ou jurídica, que trate dados pessoais no exercício de atividade econômica. O advogado autônomo é controlador dos dados dos seus clientes. O porte do escritório não afasta os deveres, embora a proporcionalidade das medidas leve em conta a realidade de cada operação.

Como registro que trato os dados de forma conforme?

Mantenha um registro simples das operações de tratamento: quais dados você usa, para qual finalidade, com qual base legal e por quanto tempo guarda. Some a isso uma política de uso de IA no escritório e o registro de consentimento do cliente. Documentar é o que sustenta a conformidade diante de uma fiscalização.

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Leo Toco

Fundador do Jurídico Ágil, professor e consultor de IA e Gestão Ágil para o mercado jurídico. Mais de 15.000 alunos e 300+ agentes jurídicos criados.

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