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Ética & Regulação

Plano Nacional de IA da Advocacia: o que a OAB já decidiu e o que falta

Plano Nacional de IA da Advocacia: o que a OAB já decidiu e o que falta

Por Leo Toco

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EM RESUMO

A OAB lançou em junho o Plano Nacional de IA na Advocacia (PNIAA): cinco eixos, código de boas práticas e OpenDetector. O que já vale e o que ainda não saiu.

Plenário de um conselho profissional durante sessão oficial, representando o lançamento do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia pelo Conselho Federal da OAB

Por Leo Toco · Publicado em 16 de setembro de 2026 · Atualizado em 16 de setembro de 2026

O Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia (PNIAA) é a política do Conselho Federal da OAB para o uso de IA pela profissão: foi lançado em 15 de junho de 2026, no Conselho Pleno realizado em João Pessoa (PB), tem cinco eixos e transforma em política nacional as recomendações sobre IA generativa que a Ordem aprovou em 2024. Ele não é uma norma com sanção: é um programa de ação, e boa parte das entregas ainda está por vir.

Vale entender o plano por um motivo prático: ele diz em que direção a regulação da IA na advocacia vai caminhar, e já trouxe uma ferramenta que qualquer inscrito pode usar hoje. Eu não sou advogado — sou de tecnologia, com mais de dez anos no mercado jurídico — e este texto separa o que já existe do que foi só anunciado.

O que é o Plano Nacional de IA da Advocacia?

É a estratégia nacional da OAB para preparar a profissão para a inteligência artificial, com ações de capacitação, orientação e apoio institucional. Segundo o Conselho Federal, o plano "consolida e amplia as recomendações sobre o uso da inteligência artificial generativa aprovadas pelo Conselho Federal da OAB em 2024, transformando-as em uma política nacional".

Os dados de identificação, conferidos nas fontes da OAB:

  • Anúncio: 10 de junho de 2026, em evento do Conselho Federal com a ESA Nacional, em Brasília.

  • Lançamento: 15 de junho de 2026, na sessão do Conselho Pleno em João Pessoa (PB).

  • Nome oficial: Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia (PNIAA).

  • Objetivo declarado: reduzir a diferença de acesso à tecnologia entre grandes estruturas jurídicas e quem atua sozinho ou em escritório pequeno.

Quais são os cinco eixos do plano?

O plano tem cinco eixos: governança, capacitação, modernização dos serviços da OAB, defesa das prerrogativas profissionais e inclusão tecnológica. Cada um responde a uma pergunta diferente sobre IA na profissão.

  • Governança. Consolidar as recomendações existentes num Código de Boas Práticas de Inteligência Artificial na Advocacia, com atualização periódica pelo Observatório Nacional de Cibersegurança, Inteligência Artificial e Proteção de Dados, e criar câmaras técnicas nas seccionais para adaptar as diretrizes às realidades regionais.

  • Capacitação. As Escolas Superiores da Advocacia ampliam a oferta sobre IA, proteção de dados, ética profissional e uso responsável; comissões temáticas são incentivadas a produzir cartilhas e guias.

  • Modernização dos serviços da OAB. Uso de IA nos serviços da própria Ordem, como atendimento, organização de informações e análise de dados, com critérios de segurança e proteção de dados.

  • Defesa das prerrogativas. A OAB acompanha os debates de regulação da IA com foco em sigilo profissional, privacidade, autonomia da advocacia e acesso à Justiça.

  • Inclusão tecnológica. Ações voltadas à advocacia jovem, sênior, do interior e de pequeno porte, com a possibilidade de parcerias para facilitar o acesso a ferramentas.

O que o plano já entregou até agora?

Até setembro de 2026, as entregas públicas do plano são três: a ferramenta OpenDetector, a ampliação dos cursos da ESA Nacional e a pesquisa nacional com a Universidade de Stanford.

  • OpenDetector (13 de julho de 2026). Ferramenta gratuita que ajuda a verificar documentos produzidos com IA. A OAB a apresentou como a primeira entrega do PNIAA e a inauguração do Programa Nacional de Soluções Tecnológicas para a Advocacia. O foco declarado é conferir a consistência das referências — citações e julgados — num documento, o efeito mais visível de alucinações e manipulações. O uso prático contra comandos ocultos está no nosso guia de prompt injection no Direito.

  • Cursos da ESA Nacional (junho de 2026). Nove cursos alinhados ao plano, sobre inteligência artificial, Direito Digital, ChatGPT, proteção de dados, blockchain, criptoativos, gestão jurídica e metodologias ágeis — o de proteção de dados, gratuito.

  • Pesquisa OAB–Stanford. Conduzida com o Deliberative Democracy Lab, de Stanford, e o IDP: cerca de 250 mil profissionais convidados e 18.668 respostas, os primeiros números divulgados em agosto de 2026. A própria OAB anunciou que os resultados servirão de base para um provimento sobre IA na advocacia.

O que ainda não saiu?

Ainda não saíram, até a data deste guia, o Código de Boas Práticas de IA na Advocacia e o provimento do Conselho Federal sobre o tema. Os dois foram anunciados; nenhum dos dois foi publicado.

Isso tem uma consequência direta para quem advoga: a régua vigente continua sendo a Recomendação nº 001/2024 do Conselho Federal, publicada no Diário Eletrônico da OAB em 14 de novembro de 2024. Ela orienta confidencialidade, revisão humana do que a IA produz e comunicação clara com o cliente — incluindo a recomendação de formalizar o uso de IA com consentimento escrito, com direito de recusa. É recomendação, não regra com sanção própria, mas é o texto a que órgãos de classe e tribunais de ética já recorrem.

O que o plano muda na rotina do escritório hoje?

Na rotina, o plano muda pouco hoje e sinaliza muito para amanhã. As três atitudes que fazem sentido desde já:

  1. Usar o que já está disponível. O OpenDetector é gratuito para inscritos e serve como camada extra de conferência de referências antes do protocolo — não substitui a leitura da fonte.

  2. Seguir a Recomendação 001/2024 como se já fosse o código. O plano diz expressamente que o código vai consolidar essas recomendações. Quem já trabalha com confidencialidade, revisão humana e transparência com o cliente não vai precisar mudar de rota.

  3. Escrever a política de IA do escritório. Papel da IA, conferência, registro, sigilo e comunicação com o cliente cabem numa página — e respondem à maior parte do que um cliente ou um órgão de classe pode perguntar.

Para ver como outra profissão fez a passagem da recomendação para a regra com sanção, vale a comparação com a Resolução CFM 2.454, a norma de IA dos médicos. E o quadro completo das normas que já se aplicam à advocacia está no guia de regulação da IA no Brasil para advogados.

Por onde começar

  1. Leia a Recomendação 001/2024. São cinco páginas no Diário Eletrônico da OAB; o item 4, sobre comunicação e consentimento do cliente, é o que mais mexe na rotina.

  2. Teste o OpenDetector numa peça já protocolada. Ver o que ele aponta — e o que ele não aponta — ajuda a calibrar quanto confiar nele.

  3. Acompanhe o código e o provimento. Quando saírem, este guia será atualizado com o texto oficial.

Quem quiser transformar essa rotina em método — da política de uso à conferência do que a IA produz — encontra no Jurídico Ágil a formação em inteligência artificial para o mundo jurídico.

Fontes:

  • Conselho Federal da OAB, "Conselho Federal da OAB anuncia plano nacional para integrar inteligência artificial à advocacia", 10/06/2026: https://www.oab.org.br/noticia/64268/conselho-federal-da-oab-anuncia-plano-nacional-para-integrar-inteligencia-artificial-a-advocacia

  • Conselho Federal da OAB, "CFOAB lança plano nacional para orientar uso da IA e ampliar oportunidades para a advocacia", 15/06/2026: https://www.oab.org.br/noticia/64289/cfoab-lanca-o-plano-nacional-para-orientar-uso-da-ia-e-ampliar-oportunidades-para-a-advocacia

  • Migalhas, "OAB lança plano nacional para orientar uso de IA na advocacia", 16/06/2026: https://www.migalhas.com.br/quentes/458194/oab-lanca-plano-nacional-para-orientar-uso-de-ia-na-advocacia

  • Conselho Federal da OAB, "Cursos da ESA Nacional ampliam capacitação da advocacia em inteligência artificial e Direito Digital", 23/06/2026: https://www.oab.org.br/util/print/64314?print=Noticia

  • Conselho Federal da OAB, "OAB lança OpenDetector e inaugura Programa Nacional de Soluções Tecnológicas para a Advocacia", 13/07/2026: https://www.oab.org.br/noticia/64358/oab-lanca-opendetector-e-inaugura-programa-nacional-de-solucoes-tecnologicas-para-a-advocacia

  • Conselho Federal da OAB, Recomendação nº 001/2024, Diário Eletrônico da OAB de 14/11/2024: https://deoab.oab.org.br/assets/diarios/diario-eletronico-oab-14-11-2024.pdf

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PERGUNTAS FREQUENTES

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O que é o PNIAA?

É o Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia, lançado pelo Conselho Federal da OAB em 15 de junho de 2026. Ele organiza a política da Ordem sobre IA em cinco eixos: governança, capacitação, modernização dos serviços da OAB, defesa das prerrogativas e inclusão tecnológica.

O plano da OAB proíbe ou obriga alguma coisa?

Não diretamente. O plano é um programa de ação, sem sanção própria. A orientação vigente sobre o uso de IA pela advocacia continua sendo a Recomendação nº 001/2024 do Conselho Federal, que o plano promete consolidar num código de boas práticas.

O Código de Boas Práticas de IA na Advocacia já foi publicado?

Até a data deste guia, não. O código foi anunciado como parte do eixo de governança e deve ser atualizado periodicamente pelo Observatório Nacional de Cibersegurança, Inteligência Artificial e Proteção de Dados da OAB.

O que é o OpenDetector?

É uma ferramenta gratuita da OAB, lançada em 13 de julho de 2026, que ajuda a verificar documentos produzidos com inteligência artificial, com foco na consistência de referências como citações e julgados. Foi a primeira entrega do plano nacional.

A OAB vai editar um provimento sobre IA?

A OAB anunciou que os resultados da pesquisa feita com a Universidade de Stanford servirão de base para um provimento do Conselho Federal sobre o uso de inteligência artificial na advocacia. Não há data divulgada.

O plano vale para escritório pequeno e advocacia individual?

Sim, e esse é um dos objetivos declarados: reduzir a diferença de acesso à tecnologia entre grandes estruturas e quem atua sozinho ou em escritório pequeno, com ações voltadas à advocacia jovem, sênior, do interior e de pequeno porte.

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